22 de ago de 2010

Eleições 2010: É proibido fazer rir

Por que será que, vire e mexe, querem amordaçar os jornalistas e demais áreas que também atuam com Comunicação?

Na praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, hoje, 22 de agosto, humoristas não fizeram sorrir. Pelo contrário, os profissionais do riso fizeram um protesto (muito sério mas cheio de bom humor) contra a lei eleitoral que proíbe fazer piada com candidatos durante o período eleitoral.

A lei 9.504, de 1997, diz que é proibido a emissoras de TV ou de rádio “usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito”. A proibição vale tanto para a programação normal, como para os noticiários.

Os políticos não podem ser apresentados com sátira e bom humor. Ou seja, nada de fazer gracinha e piada com José Serra, Dilma Roussef ou Marina Silva. Nada de desenhos com os políticos que são candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados.

Além de antidemocrática e inconstitucional (a Constituinte garante a liberdade de expressão), a lei parece brincadeira. Os profissionais não podem fazer o povo rir. Não fazer piada com políticos em época de eleição é como proibir falar sobre futebol em plena Copa do Mundo.

Os humoristas protestaram com faixas, nariz de palhaço e camiseta com a frase “humor sem censura”. Atores e humoristas disseram que a lei não faz sentido no Brasil, principalmente depois de se viver uma ditadura que marcou a imprensa de forma tão profunda, cerceando as liberdades.

De Copacabana o protesto seguiu até a praia do Leme. Uma multidão acompanhou os humoristas que recolheram assinaturas contra a mordaça. Querem reunir um milhão de assinaturas para mandar a lei pelos ares.

Quem sabe dos rastros de ditadura no país não pode concordar com essa lei. Todos têm liberdade e devem responder pelo que fazem ou falam. Se algum candidato se sentir prejudicado, que procure a Justiça. Mas censura prévia não vale.

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