29 de ago de 2010

Ser brasiliense

Eu nasci em Brasília. Morei em Ceilândia quando bebê. No Guará quando menina. Em Taguatinga Norte na adolescência. Na Asa Sul moro há mais de 18 anos.

Amo Brasília e conheço cantinhos da cidade. Bom demais as rodas de bate papo com meus amigos de Taguatinga. Bom demais comer quibe nos bares tradicionais da Asa Sul. Passar pela Feira dos Importados, a feirinha do Paraguai para os íntimos, é uma opção de compra. Mas tem que bater perna pra escolher coisa boa. Os preços por lá nem andam mais em conta nada.

Pegar um cineminha no fim da tarde também é programa de brasiliense. Assim como assistir ao G7 e, simplesmente, morrer de rir. Só quem é de Brasília sabe o quanto é divertido rir com os espetáculos deles.

Nos sábados à noite vale uma pizza pela Asa Sul. Depois dá para completar a noite ouvindo boa música sertaneja. Ah! Churrasco na chácara ou na casa de amigos também é opção por aqui. Mas tem muita gente que prefere ir ao shopping no sábado. Brasiliense adora shopping. Todos ficam lotados. É gente de todo jeito caminhando pelos corredores e esperando a hora do cineminha chegar.

Domingo é dia de almoçar com a família, ir à churrascaria ou escolher um self service perto de casa.

Domingo é dia de andar pelo Eixão que fica fechado para os carros. Caminhadas e andar de bicicleta é a pedida. Domingo é dia de ir à Torre de TV, andar pela feirinha, comer pastel de carne e queijo com caldo de cana (tudo muito calórico!), ver as apresentações de dança e contemplar a cidade há 224 metros de altura. Isso mesmo! O mirante tem essa altura. Brasília passa pela Torre de TV. Ah! Domingo também é dia de ver jogo de futebol. Tem muito flamenguista por aqui. Brasília é rubro-negra.

Para os adeptos da vida saudável, todo dia é dia de exercícios. Nada melhor do que o ambiente verde do parque da cidade. Vive cheio de gente todas as manhãs.

Brasília também é política. Durante a semana fervem os ministérios e demais órgãos públicos. Ninguém consegue estacionar e o Detran só multa. Nos finais de semana é um paradão total na Esplanada. Quem é da cidade sabe que estou retratando a realidade.

Mas a cidade não é corrupta, como muitos insistem em dizer. Tudo bem que tem muito a se consertar na vida pública. Mas lembre-se que muitos corruptos não são daqui. Vêm dos estados. Vêm de Sampa, do Rio, de Natal, de Santa Catarina, de todos os cantos. O problema é que se aglomeram aqui e daí surge a imagem de uma cidade corrupta. Mas o povo de Brasília é honesto, acorda cedo, trabalha para ganhar a vida assim como todo brasileiro. Aliás, vale dizer que brasileiro é trabalhador, sim. Povo guerreiro, que luta. Povo abençoado por Deus. Brasília precisa ser passada a limpo. Teve um monte de gente que sujou a imagem da cidade com dinheiro na meia, na bola, nos bancos. Mas esse povo é minoria.

Os palácios e órgãos públicos recebem a visita de uns profissionais que têm em Brasília muitas pautas para seus veículos. Não é raro ver os jornalistas correndo pelos corredores da Câmara dos Deputados e pelo Senado em busca de informação, de furo. Estresse e cansaço para cumprir pautas. Êta dead line que mata qualquer um! Brasília é informação pronta para ser divulgada pois é de interesse do Brasil o que se passa no poder da República. Aqui os bastidores fervem de informação.

Viver aqui também é ter engarrafamento. Ninguém merece vir de Taguatinga e de Águas Claras pela manhã, rumo à Asa Sul. Parece que tudo na cidade acontece aqui na Asa Sul. Todo mundo vem pra cá. E às 18 horas? Tudo parado no trânsito. É difícil demais voltar para Taguatinga, Ceilândia, Guará e Samambaia. Uma opção que não ajuda tanto é a Estrutural. Velha conhecida da moçada daqui. E as vias principais do Sudoeste que já foram feitas pequenas?

Brasília é seca e tem baixa umidade do ar. Sofro de julho a setembro. Que calor! Que seca! Mas com um outro olhar dá para ver que, nas tardes de inverno, existe o pôr do sol mais lindo do ano. O cerrado se transforma em espetáculo no céu azul da Capital. Céu sem nuvens. Todos torcendo pra chover. Reportagens e mais reportagens sobre a seca. Jornalista adora falar de seca.

E os ipês? Cor de rosa, amarelo. Lindos! Florescem na seca, mostrando que a vida renasce apesar do calor e da poeira marrom. Mas tem gente que diz que a poeira de Brasília é avermelhada. Não sei ainda a cor certa. Mas sei que, na seca, tudo fica empoeirado por aqui. Os tetos das casas, os carros, os prédios públicos.

A cidade também é fé. Domingo é dia de ir orar. Nada melhor do que passar pela L 2 Sul, entrar na Batista Central e louvar a Deus. Que comunidade linda que, há 42 anos, professa o amor por Jesus. Amo minha Igreja! Ah! Brasília tem Dia do Evangélico. É 30 de novembro. Poucas cidades brasileiras têm essa oportunidade. É até feriado!

Cultura é aqui mesmo. Muito bom, além de ver G7, ir ao CCBB assistir espetáculos, palestras, rodas de bate papo com escritores, andar pelas exposições de arte e de história. Amo! Museus também têm muitos. É para quem gosta de história, de riqueza cultural. Eu gosto. Além de jornalista também sou professora de História. Impossível um professor de História não gostar de museu, de identidade, de política. Tá no nosso sangue!

Tenho que falar mais um pouco da asa onde moro. A Asa Sul. Bom demais o comércio em cada super quadra. Achamos padaria, farmácia, pizzaria, lavanderia, sorveteria, relojoaria, lanchonete, manicure, chaveiro. Tudo perto de casa. Quando JK, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa sonharam e desenharam a cidade, pensaram nas super quadras até com quadra de esporte, parques infantis e clubes. Se bem que os clubes nem todas as quadras têm. Os parques andam precisando de reparos.

Levar as crianças ao parque também é programa de brasiliense. Amo levar meus sobrinhos para descer no escorregador, balançar, fazer castelo de areia. Isso é viver e ver as crianças crescendo. É participar.

A Capital de todos os brasileiros é singular. É bom demais viver nessa parte do Planalto Central.

Com respeito ao artista, vale o trocadilho: Quem não gosta de Brasília, bom sujeito não é.



Dicas
Vale a pena conferir esses pontos da cidade.

Comer pizza de tomate e queijo na Bom Bosco. Ou então na Bacco Forneria.

Comer quibe no Libanus. Esfira no Beirute.

Comprinhas diversas nos shoppings. Ou bugigangas na feira do Paraguai.

Pão quentinho no Pão de Açúcar. Ou a compra do mês no Carrefour. Tem gente que prefere o Extra.

Caminhada no Parque da Cidade.

Estudar na biblioteca da UnB.

Visitar o mirante da Torre de TV.

Ir checar os palácios por dentro, no tour cívico. Aqui tem.

Ver a troca da bandeira na Esplanada. Os militares amam!

Passar engarrafamento nas tesourinhas da Asa Sul. Vale pela experiência, mas enche o saco.

Bater perna no comércio de Taguatinga Norte. A via principal tem de tudo.

Ir ao CCBB. Muita cultura!

Bancos? Esqueça! Prefira não ficar nas filas. Use os caixas eletrônicos e a internet.

Fazer turismo ecológico nas redondezas da cidade. Salto do Tororó e diversas outras cachoeiras. Também tem fazendas com passeios e almoços por dia.

Comer churrasquinho de rua em Taguatinga Norte, M Norte e no Guará.

Comer cachorro quente do Chico, no estacionamento do Hospital de Base. Todos passam por lá.

Ir logo à rua das farmácias pois em outros locais você corre o risco de não achar o remédio.

Quer comer croissant de chocolate? Vá à Quitinete. A Mara Alckmin assina.

Para se informar sobre o que acontece, assista ao DF no Ar, da Record, e ao Band Cidade, na Band. Os melhores.

Cortar cabelo, fazer maquiagem e sobrancelha, prefira Ricardo Maia.

Os brechós ficaram chiques. Visite os da Asa Sul e Lago Sul.

Aquele lanche rápido depois que você volta da balada, de madrugada, pode ser feito no Subway, Mac Donalds e Skys. Todos funcionam até o sol nascer.

Café da manhã? Escolha as padarias com o projeto Café com Notícias, do Correio Braziliense. Além de café, tem jornal. Você fica informado sobre o que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo.

Fazer visita guiada ao Correio Braziliense, o primeiro jornal.

Passar pela Vila Planalto e ver algumas casas de madeira que ainda resistem. São desde o início da construção.

Rodar pela Metropolitana. Lá também tem muita história da inauguração.

O Núcleo Bandeirante continua calmo, como sempre. Ninguém nem ouve falar. Lá tudo começou. Ergueu-se em concreto o sonho de JK.

Visitar a primeira igreja evangélica do DF. A Primeira Igreja Batista de Brasília, no Núcleo Bandeirante.

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