9 de set de 2010

O evangélico e o voto ético

Há evangélicos que dizem que a Igreja não deve se envolver em política. Há outros que acreditam que deve, sim, pois as decisões políticas afetam a vida de todos os cidadãos, de todas as religiões, e ainda há leis que podem prejudicar o segmento evangélico.

Esse grupo defende representatividade evangélica nos órgãos públicos. O Reino de Deus é eterno. A política não o deterá.

Mas a Igreja ainda vive no mundo terreno, onde muitas decisões afetam os crentes tanto para o bem quanto o oposto.

Deus não manda seus filhos entrarem na política, mas também não diz para não fazê-lo. A cidadania terrena não anula a dos céus, nem vice-versa. É uma opção pessoal.Mas quem opta por envolver-se com a vida pública deve fazê-lo com respeito e ética.

Evangélico deve orar ou agir?Os dois, mas cada um no tempo certo. Orar deve ser sem cessar, sempre. Em período de eleições, é preciso agir. É preciso votar.

Mas como agir de maneira correta, de acordo com os princípios da fé cristã?

Nas eleições, os líderes evangélicos precisam entender que não vale mais o voto de curral, de cabresto.

Cada cidadão é livre para expressar sua vontade. Por isso, é de todos a responsabilidade de escolher bem o candidato.Deve-se votar com consciência.

Muitas pessoas dizem que a Igreja não pode se omitir. É verdade. Mas não se omitir não significa abraçar um candidato e defendê-lo em público. Como ficam as outras pessoas que não concordam com aquele candidato? Não vale direcionar o voto dos membros da Igreja. Líderes não devem indicar um candidato. Não se omitir significa debater com todos os candidatos e com profissionais formados na área política que possam trazer ao público informações que esclareçam e acrescentem. A informação correta é a primeira arma para grandes mudanças.

Não vote em político em troca de favor pessoal ou para um grupo específico. A política deve ser pela coisa pública, pelo bem de todos. Voto de interesse para obter favores futuros é politicagem.

Evangélico político e político evangélico: qual a diferença? É simples. O primeiro é um cidadão que visa o bem comum, além de ter os princípios de Deus no coração. O segundo é o corporativista, que visa apenas a defender um grupo, que busca interesses próprios e serve-se do Estado brasileiro. Político verdadeiro serve a toda a nação.

Qual a melhor saída para que cada membro da Igreja escolha um candidato? Promova um debate. Convide todos os candidatos que concorrem. Pergunte, analise. Mas esse debate deve ser em horário contrário ao culto, com divulgação clara para a igreja que se tratará de um evento específico. Assim, quem participar voluntariamente saberá do que se trata e não será manipulado. Lembre-se: púlpito não é palanque.

Meu artigo foi publicado no Correio Braziliense, caderno Cidades, página 26, de 6/9/10.

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