14 de out de 2010

Pois é, dona Dilma

Católicos, evangélicos, Dilma, Serra, Marina e os assuntos polêmicos em debate nas eleições


O passado, o presente e o futuro de um candidato à presidência da República contam muito na hora do povo decidir o voto.

Competência, ética, ficha limpa e honestidade são fundamentais. As idéias do que será feito no futuro também.

Dilma disse que era a favor da descriminalização do aborto. Perdeu votos e a chance de vencer as eleições no primeiro turno. Depois, mudou de lado. Agora é contra o aborto. Ao sabor dos votos, ela mostra ao Brasil as suas idéias. Cadê a firmeza? Como confiar em alguém assim? Dilma Rousseff agora corre atrás do prejuízo. Junta pastores em Brasília, em reunião de última hora, na tentativa de vencer a corrida presidencial.

Marina é a grande vencedora dessas eleições, mesmo ficando em terceiro lugar? Contrariando as pesquisas, obteve quase 20 milhões de voto. Uma terceira via, opção para quem está cansado do discurso de sempre que não leva a nada, não resolve nada, não ajuda o país e crescer.

O segmento que Marina pertence – os evangélicos – mostrou que é organizado, articulado, tem força política e quer crescer ainda mais em Brasília e no Brasil. Deve ser ouvido e respeitado, pois representa parcela significativa, uma vez que é a segunda maior religião do Brasil e está em crescimento.

Todos precisam perceber o tamanho da força evangélica. O Datafolha e o Censo/IBGE 2000 informam que eles são 42,2 milhões de pessoas, ou seja, 22% da população brasileira. Número significativo.

Ainda têm uma força adicional: Em muitos assuntos, os evangélicos fecham com os católicos o que aumenta o poder de fogo e de questionamento. O aborto é um desses assuntos. Nada de mexer na lei que regula a prática do aborto. Do jeito que está, deve ficar. Assim pensam os líderes, sejam padres ou pastores. Assim pensam os fiéis? Até gora não vi ninguém perguntando a opinião deles, nenhum instituto de pesquisa medindo o que acham. Mas que fique claro: Evangélicos são críticos, pensam com cabeça própria, não são massa de manobra e rejeitam o voto de cabresto.

Parece mesmo que no segundo turno das eleições os assuntos de fé dominam o debate nacional. Deus entrou de cabeça nas eleições. Política e religião combinam, sim, e devem ser discutidos. Há que se entender as relações existentes entre ambas. Prova disso são as pautas em discussão: Aborto, casamento e adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, homossexualidade. São pautas ligadas ao pensamento religioso, uma vez que passam por valores e comportamentos.

Quem não quiser perder a eleição, que seja claro e diga o que pensa, sem rodeios. Dilma tratou logo de dizer que fará uma carta à nação evangélica colocando os pontos que não vai mais tocar. Serra fica de longe, tirando casquinha, firmando-se como católico não praticante, mas firme na posição de defender a vida. Se diz contra o aborto.

Marina ainda não decidiu quem apoiar. A neutralidade a levaria a um degrau de observação e de não apostar as fichas certas no candidato errado. O que será que ela decidirá?

Esse é o cenário brasileiro das eleições 2010. Quem vencerá? Que seja o que tiver o coração mais voltado a servir aos brasileiros. Somente quem tem coração de servo sabe comandar com humildade, mas sabedoria. Que vença o melhor. Deus abençoe os brasileiros na escolha.

Denise Santana, jornalista, professora e evangélica

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