2 de dez de 2011

A fé no jornal

Estava folheando os classificados de um jornal de grande circulação em Brasília quando me chamou a atenção dois pequenos anúncios, na coluna religião, que diziam: “Leia Salmo 121 para que você esteja protegido” e “Leia o Salmo 38, três vezes ao dia, durante três dias e publique-o no quarto dia.”

Fiquei pensando que pudesse ser uma corrente. Depois achei que as pessoas que pagaram para publicar esses anúncios devem mesmo acreditar na eficácia da proteção. Do contrário, gastariam tempo e dinheiro?

Essa é a idéia de fé que norteia o mundo atual. Uma crença rasa, superficial mesmo, de um Deus que é muito falado e pouco conhecido na Sua santidade, no Seu profundo amor e promessa de salvação para “todos os que crêem”.

O mundo hoje busca uma espiritualidade de resultados rápidos tipo self service ou pegue e pague a parte da Bíblia que melhor te aprouver e tenha os seus sonhos realizados. Isso funciona mesmo?  Claro que não.

Evangelho a conta gotas é como podem ser classificadas essas publicações - caixinhas de promessa, onde se seleciona um versículo da Palavra e o submete a uma crença momentânea, para suprir uma carência diária. Mas cadê a fé inabalável no Senhor mesmo passando por tempos ruins? A Bíblia diz que Jó passou por tribulações, mas estava firme em Deus.

Essa é uma crença espalhada facilmente entre as pessoas. A Bíblia à medida da crendice popular, cheia de superstições, como se Deus tivesse compromisso em atuar caso a pessoa cumpra a leitura e a publicação. Que fé é essa? Uma fé comparada ao místico onde cabem todas as sortes de coisas: a adivinhação, leitura da mão, previsão futura, feitiço, jogo de búzios, tarô, cartomancia, astrologia. Iguala-se ainda às crença na figa, simpatias em geral, consulta aos mortos e toda a sorte de métodos contrários à pureza e à simplicidade do Evangelho de Jesus que não promete resultados miraculosos, tipo mágica, mas diz para cada pessoa pegar a sua cruz e segui-Lo. A fé não precisa de amuleto. A fé precisa de maturidade espiritual.

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