29 de mar de 2012

História: a mulher e o voto

A data não pode passar em branco. Há 80 anos as mulheres conquistaram o direito de votar.

A história é a guardiã da memória. Quando hoje vemos que é comum homens e mulheres irem às urnas escolher presidente, senador, deputado, enfim, os representantes políticos, é necessário contar para a nova geração que nem sempre foi assim. Foi por meio da luta, do questionamento e de muito trabalho que elas ganharam espaço. Isso é o que significa conquistar. Não foi mérito dos homens, não foi permissão ou esforço da parte deles. As mulheres avançaram e reivindicaram. É conquista mesmo. Por esforço e mérito delas.

Voltando na história, era o ano de 1932. A mulher saiu de dentro de casa e apareceu nas urnas.

O direito nacional ao voto foi obtido por meio do Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro de 1932. Mesmo assim, a conquista não foi completa. O código permitiu apenas que mulheres casadas, com autorização dos maridos, viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar.

As restrições ao pleno exercício do voto feminino só foram eliminadas no Código Eleitoral de 1934. No entanto, o código não tornou obrigatório o voto feminino. Apenas o masculino. O voto feminino, sem restrições, só passou a ser obrigatório em 1946.

Mas deixando o passado e voltando ao presente, as mulheres somam hoje 97 milhões de brasileiras. O que mudou na vida delas ao longo desses 80 anos?

Muitas mudanças aconteceram. Na política, elas podem votar e ser votadas, apesar de o universo do poder ainda ser de maioria masculina. Mas os tempos contemporâneos são promissores. A primeira presidenta foi eleita ano passado. Dilma Rousseff é o exemplo de que as mulheres podem. Ela foi escolhida pelo voto direto e democrático do povo, com 56,05% de preferência, ou seja, 55.752.092 votos. Ela escolheu um time de saia para estar ao seu lado. Dentre os assessores diretos, Dilma conta hoje com 10 ministras.

Também vale ressaltar que Marina Silva, ex-ministra e ex-senadora, também disputou a presidência da República na mesma época que Dilma. Ambas foram as primeiras a concorrer ao maior cargo político do país. Dilma venceu.

Em relação às leis, também ouve avanços. Existe agora a Maria da Penha, que guarda a mulher contra a violência doméstica, seja física ou verbal.

Na saúde, ganharam o direito a não serem demitidas em caso de gravidez e à licença maternidade. Ganharam também o anticoncepcional, um símbolo da liberdade sexual sem o sem o ônus de uma gravidez indesejada. A pílula chegou ao Brasil em 1962, vinda dos Estados Unidos onde foi inventada dois anos antes.

Na família, as mulheres são chefes, sustentam financeiramente e educam os filhos. O planejamento familiar também mudou. Elas têm menos filhos hoje. Há uma queda na taxa de fecundidade. Também existe a opção de cuidar da carreira profissional e só depois pensar em casamento e gravidez. Elas se casam cada vez mais tarde.

Na educação, elas estudam mais do que eles. As mulheres das metrópolis têm mais anos de investimento em educação do que as do interior do país.

Apesar de mais qualificadas, as mulheres continuam ganhando menos que os homens, de acordo com o estudo “Mulher no mercado de trabalho: Perguntas e respostas”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas para mudar esse quadro, a presidente Dilma assinou lei, no último dia 8 de março, permitindo que as empresas sejam multadas caso paguem salário diferente para homens e mulheres que exerçam o mesmo cargo. Os anos de trabalho também precisam ser levados em conta. É a busca da justiça no trabalho equiparando os salários dos trabalhadores independente do gênero.

No trânsito, é provado que as mulheres dirigem com mais cuidado, são mais atenciosas, mais prudentes e isso reflete em menos envolvimento em acidentes.

Na religião, o universo avançou, apesar de ainda ter que melhorar muito. A Igreja Católica não ordena mulheres para a cúpula dos trabalhos. Elas não podem exercer o sacerdócio. Somente existem padres e bispos. Eles dominam a liderança. Elas somente chegam à função de freiras. No budismo, elas também não são líderes gerais. A exceção no Brasil é que exista uma monja. Mas ela representa uma minoria. A maioria é de homens liderando os templos. No Islamismo, mulher na liderança nem pensar. As igrejas evangélicas são mais abertas. Os batistas, por exemplo, têm pastoras. Outras denominações também abrem espaço para elas serem líderes, mas ao lado dos maridos. São as chamadas esposas de pastores. Mas ainda existem igrejas, como a Assembleia de Deus, que não consagram mulheres para o pastorado. Elas exercem atividades como líderes de grupo e missionárias.

Várias mudanças aconteceram. Muitas outras ainda precisam acontecer. Mas elas têm o que comemorar e não podem cruzar os braços e estacionar no tempo. A mulher pode contribuir para a construção de um país mais desenvolvido.

Com a mulher sendo a protagonista neste artigo, isso não deve ser visto como uma defesa feminista. Antes o leitor deve avaliar este texto como uma análise realista dos tempos atuais. As mulheres conquistaram. Essa constatação é inegável.

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