22 de abr de 2012

Torre Digital, a flor do cerrado. E a TV no Brasil

Mais qualidade nas imagens da televisão, com sinal digital, para os brasilienses. Esse é um dos benefícios da Torre Digital que foi inaugurada ontem em Brasília.

Quem ganha com esse projeto de Oscar Niemeyer? Ganham as empresas de TV, ganham os brasilienses e o turismo local, pois a torre é o mais alto mirante da cidade, construída em uma área de 8,5 mil metros quadrados.

No total a torre tem 185 metros. Os visitantes têm acesso a 120 metros de altura, de onde poderão apreciar vários pontos turísticos do centro da Capital.

Em oito meses será instalada a antena de transmissão para as emissoras. Mas o público já pode apreciar a beleza de Brasília do alto, pois o mirante está aberto para visitação aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h.

 Torre Digital ainda em construção: imagens de internet

Maquete da Torre Digital

A força da TV no Brasil

Por que investir em TV? Por um motivo simples: a televisão é o maior veículo de comunicação de massa do Brasil.

De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada no dia 28 de março de 2012, organizada pelo Instituto Pró-Livro, ver televisão é a atividade preferida dos brasileiros nos momentos de folga (85% dos entrevistados). Em seguida aparecem escutar música ou rádio (52%), descansar (51%) e reunir-se com amigos e a família (44%). A leitura ficou em sétimo lugar. O percentual de entrevistados que declarou gostar de ler caiu de 36% (entre 2007) para 28% (em 2011). De acordo com o estudo, a Bíblia aparece em primeiro lugar entre os gêneros preferidos.

Quais as características da TV? Qual a influência nas pessoas? A informação transmitida na televisão é superficial e rápida demais. A falta de aprofundamento, de mais explicações para melhor esclarecer as pessoas aponta para outro problema: é desse meio que os brasileiros mais recebem informação. Isso significa que bebem de uma fonte rasa, sem análise crítica, com visão unilateral. Ao assistir TV a pessoa toma a posição passiva, apenas receptora da informação. Não tem a oportunidade de interagir, debater, aprofundar-se. Os comunicadores é quem decidem o que as pessoas assistem, o que será pauta nacional ou não. As pessoas têm o recurso de escolher os canais fechados, que transmitem programas mais diversificados. Mas esse recurso é caro e, portanto, ainda é distante da maioria da população que têm maior acesso somente à TV aberta.

TV tem alvo coletivo, é responsável por uma relação social abstrata e passiva, modeladora dos acontecimentos. É criticada e enaltecida. O saber emanado do aparelho é saber comum porque todas as pessoas veem as mesmas informações. A TV não permite uma escolha, vê-se o que foi programado. A TV não tem troca, não há publico no momento da produção de um programa, não há interação como uma peça de teatro, por exemplo. Há o papel imobilizador do público. Ela é distante, mas passa a ideia de ser familiar e as pessoas recebem seu conteúdo com naturalidade. Apresentadores querem parecer naturais, como em um bate papo.

Mas também tem pontos positivos: ela reúne vários veículos em um: teatro, cinema, musica, literatura. É uma conquista e uma revolução do meio eletrônico.

Propicia contato entre regiões distantes, culturas diversas. É o maior entretenimento da sala de estar no Brasil. Difunde maciçamente ideias, conceitos. É instantânea, mundial e está em todas as classes sociais.

Apesar de já ser grande o alcance da televisão, esse ponto deve crescer ainda mais, pois agora a TV está até na internet. A juventude vai mesmo se ligar na telinha.

Só para se ter mais uma ideia da força desse gigante, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que há mais televisores disponíveis no Brasil do que geladeiras. Mais de noventa por cento dos lares têm, pelo menos, um aparelho de televisão. Em média, assiste-se cinco horas por dia da programação das emissoras.

A televisão dita a moda, influencia na escolha da roupa, no comportamento social das pessoas, cria expressões linguísticas. A TV também enaltece ou rebaixa a reputação das pessoas. Em caso de crítica, isso é um problema grave, pois afeta a imagem pública do indivíduo. TV ainda gera importantes debates públicos ou grandes polêmicas, além de estabelecer a agenda nacional. Mas também pode dissiminar informações irrelevantes, fazer fofoca. O que é veiculado será o assunto discutido nas rodas de conversa do poder público, no café da esquina, na mesa do bar, no salão do cabeleireiro. É preciso estar antenado para saber os últimos fatos. Ignorar a TV significa ser desatualizado. Tem a força de alcançar um grande público, num curto espaço de tempo, a custo baixo para a população que hoje pode comprar bons aparelhos. É uma janela aberta para o mundo. A imagem corre o globo terrestre em segundos abordando conteúdo político, econômico, de entretenimento, religioso, entre outros. Ligar um aparelho significa conectar-se com a realidade da vida.

Uns detalhes não podem ser esquecidos quando o foco é pensar TV. Ela fascina, envolve, é importante. Mas gera passividade (a sociedade é receptora e não produtora de conteúdo), pouco questionamento, tem conteúdo superficial e aliena. TV faz comunicação unilateral. Pela força do discurso, pode levar as pessoas a ter posições que os comunicadores desejam. As pessoas podem passar a viver no mundo da televisão, comprar ou desejar adquirir os produtos que esta oferece, os valores e conceitos que prega, seja abertamente, seja indiretamente. Quem nunca ouviu falar que uma pessoa desejou ou comprou um brinco, um aparelho de jantar ou o abajur de um filme ou de uma novela? É um bombardeio de informações e de posicionamentos.

Vendo TV, sem que se perceba, as pessoas podem negar seus referenciais éticos, morais, religiosos para incorporar o que é imposto. Por isso é importante pensar, questionar e não somente receber a informação como certa.

Na TV, a maioria da programação (70%) é estrangeira. Um forte indício do domínio cultural. Existem poucos programas regionais. De modo geral, somente os grandes centros, as metrópoles, são retratados na tela. A população do Ceará pouco se vê, mas a cultura do Rio de Janeiro é muito disseminada. A TV, quando mal usada, se presta a um papel de minar a cultura. E os desavisados podem nem perceber esse problema. Aceitam os modos de vida, os hábitos de outro estado, de outro país como se fossem seus.

Boa e ruim, mas de importância singular, a TV transformou e transforma a vida. Quer um exemplo da força da audiência? É só analisar os números apresentados para ver o alcance de uma emissora. Na décima segunda edição do Big Brother Brasil, a Rede Globo contabilizou 36 milhões de votos na disputa pela eliminação entre os participantes João Maurício e Yuri. A informação foi dada pelo jornalista Pedro Bial, apresentador do reality show. Os telespectadores participaram votando de três maneiras: pela internet, pelo telefone e por mensagem de texto. Nas duas últimas, a pessoa pagava para participar. Entendeu? A pessoa gastou seu dinheiro para atender ao pedido do apresentador, mas não deixou de votar. Isso ilustra e dá base para entender a comunicação de massa.

A televisão foi inventada nos Estados Unidos, em 1945. Chegou ao Brasil em 1950, trazida pelo empresário Assis Chateaubriand. Foi a TV Tupi a primeira emissora comercial brasileira. De lá para cá a TV se desenvolveu e hoje exerce influência significativa na cultura brasileira. Seja de alta ou baixa qualidade, é impossível ignorar a televisão como um meio de comunicação mais eficaz e efetivo da desta era pós-moderna.



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