26 de jul de 2012

As mulheres resolveram tirar a roupa. Os homens também?

Cartaz de divulgação Marcha das Vadias DF

Cartaz de divulgação Marcha das Vadias DF

Em Teologia Contemporânea estudamos sobre a Teologia Feminista, um movimento em prol da liberdade e dos direitos das mulheres, ligado à Teologia da Libertação.

A partir dessas aulas fiquei mais curiosa para observar o movimento feminista atual. Percebi vários grupos se posicionando e uma característica me chamou a atenção. Para protestar, elas resolveram tirar a roupa. Isso mesmo. Acreditam que chamam mais a atenção seminuas do que somente gritando, organizando caminhadas e segurando cartazes de protesto.

Quer exemplos? A Marcha das Vadias, uma luta mundial que ocorreu em 20 cidades no último mês. Aqui em Brasília, como em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outras metrópoles mundo afora, as feministas tiraram a roupa, pintaram os corpos e foram às praças públicas reivindicar o fim da violência física e emocional contra as mulheres, o direito ao aborto, o fim do turismo sexual e por outras causas políticas.

Durante a Eurocopa 2012, na cidade Kiev, na Ucrânia, várias mulheres do grupo Femen, inclusive uma brasileira, foram presas por tirarem a roupa durante os jogos de futebol. Mesmo com a polícia reprimindo o movimento com veemência, as feministas não desistem. Ficar nua é a maneira que acharam de chamar a atenção e protestar.

Agora os homens também resolveram fazer o mesmo. Oito bombeiros espanhóis ficaram nus. Usaram somente capacetes e botas. No cartaz escreveram a frase “de tantos cortes ficamos nus”, em protesto contra a política de austeridade do governo. Outras manifestações iguais foram marcadas em 80 cidades da Espanha. O fato é recente, aconteceu em 19/7.

Em entrevista por e-mail, a ativista Lia Padilha Fonseca, 28 anos, agrônoma, integrante da Marcha das Vadias no Distrito Federal foi questionada sobre a nudez feminina durante os atos públicos. Ao mesmo tempo em que elas criticam a mulher ser vista e usada como objeto, algumas manifestantes praticam a mesma coisa que discordam. Ou seja, ficam nuas. A pergunta para Lia foi: o ato de se expor (nua) não reforça a má imagem que a mulher carrega? Como explicar isso? Ela respondeu: “algumas mulheres na Marcha sentem a liberdade de mostrar seus peitos sem que isso seja visto ou usado como objeto, e sem que isso dê direito a ninguém de abusar de seus corpos. A nudez na Marcha é uma atitude de protesto contra a repressão e violência sexual. Algumas pessoas associam o corpo nu à razão da objetificação das mulheres, o que é uma simplificação de uma questão infinitamente maior. Essa objetificação tem raízes muitos mais profundas e que são externas aos nossos corpos, como por exemplo, na representação das mulheres na mídia, na utilização do corpo das mulheres de forma utilitária e mercadológica, na intenção de provocar a sensação de prazer aos homens por meio de nossas imagens nos mais variados veículos de comunicação. Os homens, por exemplo, andam sem camisa pelas ruas sem que isso seja interpretado como uma objetificação de seus corpos. Por que essa liberdade é negada às mulheres? O problema não está nos nossos corpos em si, mas nos valores que são impressos sobre esses corpos. As mulheres que fazem topless na Marcha não estão exibindo seus corpos. Estão, como esses homens, simplesmente andando pelas ruas, usufruindo da liberdade e da autonomia sobre seus corpos em um dia de calor. A mulher deve ter autonomia sobre seu corpo e sua sexualidade. E nenhum decote, saia curta ou topless pode tirar essa autonomia da mulher, ou o direito a uma vida livre de violência. Para tocarem em nossos corpos, apenas com o nossa permissão e consentimento. Trazemos a discussão sobre a autonomia do corpo. Portanto, nada mais coerente podermos utilizá-lo como ferramenta de protesto”.

Minha opinião
Respeito a opinião das mulheres e dos homens que resolveram tirar a roupa.  Concordo com a visão delas de que deve-se acabar com a violência contra a mulherada. Mas não creio que seja bom o método de protesto escolhido.

Elas protestam contra a cultura da mulher objeto e agem da mesma forma. Ou seja, são contra as mulheres serem vistas como objetos sexuais dos homens, como mercadorias para venda de produtos, mas tiram a roupa igualmente. Criticam quem faz isso e fazem a mesma coisa. Difícil entender isso. Se a moda pega – se já não pegou, agora todo mundo fica nu se discordar de alguma coisa?

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