21 de mai de 2013

Evangélicos na TV


A igreja evangélica está na telinha produzindo programas. Isso é ótimo e deve ser incentivado. Mas as programas são bons? No que a programação deve melhorar? Qual a importância da televisão no Brasil?

Vamos começar respondendo à última pergunta. A TV é o maior meio de comunicação de massa brasileiro. Por meio dela alcança-se o maior número de pessoas, no menor espaço de tempo, apesar de ter um custo alto.

É nesse meio de comunicação que a igreja contemporânea se inseriu. TV é uma excelente ferramenta para se propagar o amor de Jesus. Por meio dela a igreja tem a oportunidade de divulgar ideias, evangelizar, se inserir no mundo, responder às perguntas existenciais das pessoas, dialogar com a sociedade como defendeu o teólogo Paul Tillich.

Mas a igreja evangélica em Brasília precisa melhorar a qualidade dos programas televisivos que são ruins. Não analisando o conteúdo doutrinário da mensagem, destacaremos os erros técnicos mais comuns.

Apesar de ter equipe e estúdio próprios, os programas não são feito no formato para TV. Os cultos são gravados e parte desse material é editado para montar o programa. Resultado? Mensagens longas demais para a telinha, quadros sem sequência, somente recortados para suprir o tempo comprado nas emissoras. Um corta e cola de cenas. Também acontece de dividir uma longa pregação em vários programas em dias e semanas diferentes. Totalmente equivocada essa ideia. A comunicação eficaz deve ser passada com inicio, meio e fim. Dividir uma grande pregação é trazer ruídos para a comunicação. A pessoa perde um programa e, assim, não recebe a mensagem. Perdeu-se o objetivo primeiro que era se comunicar bem.

Também há pouco movimento de câmera nos programas. Isso desvaloriza a imagem que torna-se cansativo para quem assiste. Imagina ver uma pregação de cinco minutos com imagem parada (ou com pouca inserção de imagem). É enfadonho. E TV é imagem, ação. Também não há novidade no formato. Além da pregação bíblica, há algumas músicas, a agenda semanal e pedidos de oração. Alguns inserem testemunhos de membros. Isso sem falar nos erros de Português dos textos (caracteres) escritos na tela. Onde está a inovação e a criatividade? Onde está o link com os assuntos polêmicos e atuais que fazem parte das discussões no trabalho, no café da esquina, nas universidades, nas rodas de bate papo? Onde está a igreja ligada em seu tempo, influenciadora, sendo ouvida, procurada e respeitada? Parece que ficou perdida no passado distante.

A linguagem é o “crentês”. Totalmente inadequada para se alcançar a sociedade. TV tem linguagem coloquial. Outro detalhe: Os produtores não sabem para qual público falam. Interrogados, dizem que fazem programa evangélico para toda a família (seja evangélica ou não). Errado. O assunto que interessa ao idoso não é o mesmo que chama a atenção de um adolescente ou uma criança. Resumindo, as igrejas fazem TV sem saber qual público desejam atingir.

O resultado disso tudo? Pouca audiência, apesar de investir muito dinheiro. TV é um veículo muito caro. E sem falar que os programas são veiculados aos sábados pela manhã, em horários pouco rentáveis. Mas essa grade de horário é a única oferecida pelas emissoras e quanto a isso há pouco ou nenhum espaço para negociação.

Apesar de todos esses problemas, os programas não devem acabar. Devem melhorar. As liberdades de expressão e religiosa no Brasil devem ser aproveitadas pelos líderes evangélicos. É importante a igreja ocupar o espaço midiático, mas entendendo que necessita se adequar melhor ao meio televisivo.

Os programas precisam ser mais persuasivos, voltados para o presente, para debater temas atuais que influenciam a vida das pessoas. É necessário investir em pesquisa para saber qual o formato do produto, que temas abordar. Tudo levando em consideração o público que quer atingir.

Uma igreja evangélica ativa, ligada em seu tempo. Que ocupa o seu espaço proclamando o amor transformador de Jesus Cristo. Que produz diálogo inter-religioso respeitando as demais crenças, que influencia socialmente, que defende a justiça, a paz, o bem, que acolhe as minorias marginalizadas, que ouve, que se insere na comunicação midiática com produção de qualidade. Tudo isso é um desafio. Vamos encarar?

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