21 de jun de 2013

Fui para a rua mudar o Brasil

O povo brasileiro está insatisfeito. O Brasil parou para se manifestar (20/6).

A imprensa mostrou a multidão que foi às ruas, em 25 capitais, para pedir melhorias. A Folha de São Paulo publicou que foram 1 milhão de manifestantes no Brasil. O Correio Braziliense  disse 1,4 milhão de pessoas. 

No DF, foram entre 35 a 40 mil participantes (dados do G1). Já o Correio publicou que foram 35 mil. Houve baderna e 137 pessoas ficaram feridas e três foram presas na Esplanada dos Ministérios.

Eu participei da manifestação no gramado da Esplanada. Relato fatos e ainda minhas considerações sobre o mega evento. Portanto, que fique bem claro. Neste texto haverá fatos narrados e a minha opinião.

Quais as frases interessantes vistas nos cartazes dos manifestantes?
“Viemos fechar a pizzaria”; “É tanta coisa errada que não cabe no cartaz”; “Ore pelo Brasil”; “Desculpe o transtorno. Estamos mudando o Brasil”.


Teve agressão à imprensa?
Sim, infelizmente. Jornalistas foram insultados e agredidos com bala de borracha. Carros móveis do SBT e Record foram incendiados (No RJ e em SP, respectivamente). Outro carro da Band foi depredado em Natal. Os repórteres da Globo, por exemplo, foram muito criticados e tiveram que trabalhar sem canoplas nos microfones para não identificar que eram da emissora. As pessoas podem se manifestar contra a imprensa porque nenhuma instituição ou classe profissional é imune à crítica. Mas os jornalistas estavam trabalhando e devem ser respeitados. Uma frase muito escrita foi “rede de esgoto de televisão”, referindo-se à Globo. De acordo com o Repórter Sem Fronteiras, em todo Brasil 20 jornalistas foram atacados ou feridos durante os protestos.


O que foi legal?
Foi muito bonito ver a multidão cantando o Hino Nacional e gritando palavras de ordem como “o Brasil é nosso”; “sou brasileiro, com muito orgulho e muito amor”. “Brasil, vamos acordar. O professor vale mais do que o Neymar”; “Copa do Mundo, eu abro mão. O Brasil precisa é de saúde e educação”. Muito patriótico ver jovens abraçados à bandeira verde-amarela. Não teve bandeiras de partidos. Isso era proibido no movimento.


O que está desaprovado?
O vandalismo. A maioria das pessoas foi pacífica, mas houve baderneiros que quebraram a cidade. Com o rosto coberto e com paus nas mãos, vândalos atearam fogo à fachada do Palácio do Itamaraty, picharam as paredes e quebraram vidros do prédio, fizeram fogueira no gramado e colocaram fogo em outros pontos impedindo os bombeiros de apagar. A vidraça da Catedral foi quebrada. Muitas paredes pichadas. A PM também foi agredida.

Denise

Que outro fato destaca?
Encontrei um amigo que que é policial militar e trabalhava na segurança da manifestação. Ele me perguntou o que eu estava fazendo lá. Olhei firmemente nos olhos dele e respondi: eu vim mudar o Brasil. Não perguntei por educação, mas penso que talvez ele estivesse ali somente porque foi escalado para trabalhar. Mas eu estava na Esplanada voluntariamente. Realmente com a boa vontade de dizer às autoridades que meu País é maravilhoso e nós merecemos viver melhor. Trabalhamos e estudamos muito para isso.

A PM foi violenta?
Não. Os policiais, aqui em Brasília, reagiram à ação dos vândalos. Jogaram spray de pimenta e gás lacrimogêneo. Eu sofri com o gás porque não conseguia respirar direito, os olhos ficaram irritados e lacrimejando muito.

O que o povo reivindica?
Tudo. Mudança total no Brasil. Como a manifestação é livre e popular, todas as reivindicações eram válidas. O início começou por causa do aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus em Sampa. Depois, aumentou-se a pauta. Pediu-se fim da corrupção, melhor educação e saúde, contra projeto que ficou erradamente divulgado como “cura gay” (não se trata de cura porque homossexualismo não é doença), contra PEC 37, CPI da Copa (grande protesto contra os altos gastos do governo federal para construção dos estádios onde acontece a Copa das Confederações e acontecerá a Copa do Mundo no ano que vem), fora FIFA, paz para os índios, fim do genocídio. Uns queriam impeachment de Dilma enquanto outros carregavam cartazes dizendo que não precisava tanto, mas que eram necessárias reformas políticas urgentes. Também houve quem ficou contra o ato médico.



Quem organizou?
O movimento foi planejado no Facebook e as pessoas começaram a curtir, compartilhar, confirmar presença e participar. Duas frentes foram criadas: a “Copa pra quem?” e a “Marcha do Vinagre”. Mas o ato se dizia sem liderança definida. Todos eram livres para se expressar.


Quais as características da manifestação?
Criado nas redes sociais, sem liderança, sem partido político, em nível nacional, de grande participação jovem (principalmente de estudantes), sem participação de instituições, sem agenda pautada e certinha de reivindicações. Cada um protestava pelo que julgava que deveria ser mudado no Brasil.



Você vai a outra edição dessa manifestação?
Ainda não sei responder isso. Talvez sim, talvez não. Por quê? Porque ontem vi vandalismo, sofri com o gás lacrimogêneo. Eu não conseguia respirar direito. Acho que não dá para permanecer assim senão muita gente morrerá. Inclusive ontem já aconteceu uma morte no interior de Sampa. Torna-se perigoso estar presente porque os vândalos estragam a festa. Mas acho muito justo o ato porque o Brasil tem que mudar. É uma afronta sermos tão ricos e vivermos tão pobres. É assim: olhamos a riqueza e morremos na pobreza. Assim não dá mais. As autoridades têm que trabalhar bem, com ética. É só fazer o que é dever e já estará bom.


Texto e fotos: Denise Santana, jornalista

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