8 de nov de 2013

Mulheres gordas, mulheres brasileiras

Com barro nas mãos ela faz arte. A exposição “Mulheres do Brasil”, da artista plástica Eliana Kertész, é prova de que argila é matéria-prima para produzir beleza.

As salas nobres do Palácio do Planalto receberam as peças. São elas, as mulheres do nosso Brasil, retratadas em barro, mas também em bronze. Tem Dona Flor, Dona Sinhazinha (cuja peça faz parte do acervo da presidente Dilma Rousseff), As Candangas, Rosalinda, Celeste, Preta, Viriadiana, Donatela, Lina, Tereza, Eva. Tem ainda as mulheres de Jorge Amado: Dona Norma, Beatriz, Tereza Batista, Gabriela, Negra Juventina, Bolo Fofo, Dada e Estrela.

Todas têm um traço em comum: são gordas. Isso mesmo. Fofas, gordas, farturentas, redondas. É uma crítica à beleza magra e um elogio às curvas da mulher normal, à beleza da brasileira.

A artista baiana, autodidata em seu trabalho, registrou assim sua obra: “diante de um bloco de barro, me sento e toco. Minhas mãos não sabem o que fazer. Passeia, desliza, aperta. Amassam e vão obedecendo aos caminhos que o barro sugere. Volumes, curvas, abundância, exagero, fartura. Assim, nascem minhas gordas. Generosas, sensuais, extravagantes, redondas como o mundo, onde cabem todas as curvas e movimentos. Onde cabem todos os sentimentos.”

Particularmente, dou nota dez à exposição. Realista, de bom gosto, com arte. Assim percebi que a artista retratou-nos. Retratou a mulher guerreira, sensível, mãe, trabalhadora e meiga do país. Também tocou no aspecto físico, mostrando que o preconceito que a gorda sofre deve, sim, acabar.

Como fui obesa mórbida sei que aquelas formas retratadas nem sempre agradam. Mas percebi que também tem beleza mesmo com alguns quilinhos a mais. Tudo depende do olho de quem observa. A balança não precisa ser uma inimiga. A fartura da mulher brasileira merece um olhar singular. Eliana Kertész teve sensibilidade ao mostrar esse outro lado.


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