9 de out de 2014

As mulheres e Jesus

O que a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, diz sobre as mulheres? A cultura de época de Israel do século I aponta que as mulheres eram desconsideradas socialmente, cidadãs de segunda classe, propriedade do marido assim como a posse da terra e dos animais. Elas não estudavam formalmente - os meninos estudavam, mas as meninas se ocupavam dos afazeres domésticos. Até mesmo na fé elas eram deixadas de lado, não podendo assumir liderança religiosa. Poucas vezes tinham permissão para ler os livros sagrados e ficavam no pátio exterior das sinagogas. No aspecto do casamento, eram obrigadas a se casar cedo com maridos arranjados. A contribuição principal da mulher no Novo Testamento, cultura que vem desde o Antigo Testamento, era a sexualidade. Ela era propriedade exclusiva de seu marido tanto para seu prazer como para ser mãe de seus filhos. 

Como a cultura da época de Jesus era pouco diferente da anterior, vale um exemplo sobre o casamento. Da primeira noite se conservava o tecido nupcial manchado de sangue que provava a virgindade da noiva e servia de prova em caso de calúnia do marido. Esse fato está registrado em Deuteronômio 22:13-21. Se o marido dissesse que a moça não era virgem, os pais dela pegavam o pano sujo de sangue, a prova da virgindade, e levavam para os anciãos da cidade que, publicamente, julgavam o caso. Uma vergonha sem medida para a noiva. Se ficasse comprovado que o marido mentira e que a moça era virgem antes da noite de núpcias, ele era multado e castigado porque tinha levantado blasfêmia, má fama contra a jovem. Se ficasse constatado que a moça realmente não era virgem, ela era apedrejada pelos homens, pois tinha feito loucura e se prostituído enquanto ainda estava na casa de seu pai. Cabia ao homem mandar e desmandar. Uma cultura denominada patriarcal. Essa situação patriarcal foi herdada desde o Antigo Testamento onde a sociedade era fundamentada em princípios religiosos. Essa fundamentação seguia os modelos de dominação vigentes na época, ou seja, o domínio exagerado do masculino e, em consequência, a subserviência da mulher.  Na política? Não exerciam qualquer tipo de poder, não eram consideradas nem na hora de ser testemunha. Aliás, publicamente não podiam falar com os homens e eram obrigadas a cobrir o rosto ao sair de casa. O homem poderia pedir divórcio quando quisesse, mas a mulher não.

Jesus mudou todos esses paradigmas. Ele valorizou as mulheres. Houve uma história de uma mulher, narrada em João 8, que foi pega em adultério. Escribas e fariseus a levaram até Jesus, acusando-a de traição. Mas a lei mosaica dizia que homens e mulheres apanhados em adultério deveriam morrer apedrejados. O homem adúltero não foi levado à presença do Mestre. Somente ela. Inclusive, o texto bíblico não narra o nome dessa mulher. Uma característica comum nas Escrituras que refletem a cultura da época. Muitas mulheres não têm seus nomes narrados. Ou fala-se somente que eram mulheres ou citam a história as colocando como a esposa de alguém, citando, claro, o nome do marido. Jesus não condenou aquela mulher. Antes, disse que o primeiro que não tivesse pecado que lançasse a pedra para matá-la. Todos os homens foram embora e o Mestre disse à mulher para também ir embora e não pecar mais.
Além da adúltera, muitas outras mulheres cercaram Jesus. A cananéia, a samaritana, Maria e Marta. Também foi uma mulher cujo nome não se conhece, que estava na casa de Simão, que derramou perfume caro em Seu corpo para prepará-lo para o sepultamento. Aliás, foi outra uma mulher que constatou que o túmulo estava vazio. Maria Madalena foi domingo bem cedo e não encontrou o corpo de Jesus Cristo. Os anjos anunciaram que Ele havia ressuscitado.

Sim, Jesus é libertador das mulheres. Ele resgatou a auto estima, o valor, a consideração a elas em uma época de desprezo social. Esse respeito ao feminino é um exemplo a ser seguido. A história narrada acima é referente à sociedade judaica do século I, mas atualmente, na sociedade brasileira do século XXI, elas precisam ser consideradas, amadas e bem cuidadas. Respeitadas. Essa é a palavra. As mulheres precisam ser respeitadas.


Denise Santana, teóloga, jornalista e professora

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