3 de mai de 2015

A fé não basta? Para quê o copo d’água? Para quê a venda de produtos?

Opinião

Uma análise sobre o mercado da fé no Brasil e o uso de símbolos (objetos) para receber bênçãos espirituais a partir das denominações neopentecostais Igreja Universal (IURD) e Igreja Mundial do Poder de Deus, lideradas pelo bispo Edir Macedo e Valdomiro Santiago de Oliveira.

A conduta nos cultos
Durante o culto inicia-se uma parte importante que é o momento de contar os depoimentos (que são chamados de testemunhos) sobre bênçãos financeiras recebidas, cura de doenças de todos os tipos e libertação de problemas espirituais que atrapalhava a vida do fiel ou de seus familiares. Esses depoimentos são gravados e depois são veiculados nos programas de TV das igrejas neopentecostais. Existe um convite para doação de dízimos e ofertas e, com isso,  reivindicar de Deus as bênçãos das quais se necessita. Uma das palavras chaves mais usadas nas igrejas neopentecostais é “eu determino”, uma maneira de dizer que as palavras do fiel são poderosas o suficiente para mover a mão de Deus a favor da petição. Ou seja, o crente pede, determina e a bênção esperada acontece. São vendidos todos os tipos de produtos. São oferecidos vários tipos de amuletos (objeto que se carrega por superstição, para se livrar de doenças e perigos) para dar suporte à fé das pessoas como água ungida, chaveiro, meia, azeite ungido, entre outros.

Os programas na TV divulgando os projetos para alcançar a bênção
Sábado pela manhã. Basta ligar a TV, a partir das 8 horas, para assistir ao “Programa Nosso Tempo”, TV Brasília, canal 6, apresentado por vários bispos. Eles se revezam entre contar testemunhos, comentar sobre as campanhas da Igreja Universal e convidar os telespectadores para participar das campanhas. Na telinha aparecem os caracteres informando dias, horários dos cultos, endereço e o nome da campanha. A frase a seguir foi copiada da tela da TV durante o programa: “faça como milhares de pessoas e receba o seu milagre. Reunião domingo, às 7h, 9h30, 15h e 18h, na EQS 212/213”. Os apresentadores divulgam cultos que acontecem nas regiões administrativas da Asa Sul e de Ceilândia. No dia 29 de abril de 2015, quando assisti ao programa, o pastor apresentador disse para as pessoas levarem uma garrafa de água no culto para receber a “gota do milagre”. Depois disso, foram exibidos vários depoimentos de pessoas contando que os problemas delas acabaram depois que beberam da água que havia recebido uma gota santificada. É o desafio da cura. Os pastores afirmam na TV que colocarão uma gota de água dentro da garrafa que o fiel levar e, posteriormente, essa água será bebida por ele ou por amigos e familiares. Também pode-se usar a água com a gota do milagre para cozinhar, borrifar em casa ou no trabalho.

São inúmeros os depoimentos exibidos nos programas de televisão atestando que a gota santificada é milagrosa. Na segunda vez que assisti ao programa, no dia 2 de maio de 2015, uma mulher deu um depoimento dizendo que usava a água no suco e que, depois que fez isso, teve paz em sua casa. A água, explicou o pastor na televisão, foi consagrada em sete locais importantes de Israel como rio Jordão, mar da Galiléia, Monte Moriá, tanque de Betesda, no túmulo de Jesus e no mar Morto. “Quando essa gota chegar até você as coisas que todos duvidavam chegará em sua vida. Nessa água há o poder de Deus com a unção das sete águas mais poderosas do mundo”, comentou o pastor. Ele referia-se aos locais de Israel já citados acima.

Uma mulher levou os exames para comprovar que estava curada de câncer no colo do útero e afirmou no ar: “o médico disse que se demorasse mais um pouco eu poderia cavar a cova que eu iria morrer. Peguei a água com a gota do milagre e fui curada”, disse. Outro homem, identificado somente pelo nome de Laurindo (porque no programa não se exibe os nomes e sobrenomes das pessoas que dão seus depoimentos) disse que havia sido curado de glaucoma. Inclusive levou os exames para confirmar o milagre. Em outro depoimento, um homem chamado Rafael disse que estava em casa assistindo ao programa. Tinha problema de coluna há três anos. Recebeu a oração da cura e ficou bom. Por isso decidiu ir ao templo dar seu depoimento. Já era a segunda vez que visitava a Universal. Em outra imagem, o programa mostrou exames de uma mulher que estava com cacinomo micro invasor no colo do útero. De acordo com ela, teria sido curada. Inclusive levou três exames (um que atestava a doença e outros dois que confirmava que não estava mais enferma). De acordo com a mulher, foi a oração que recebeu que trouxe a solução do problema.

Além da gota milagrosa que foi consagrada em Israel de acordo com os pastores, também tem azeite consagrado no Brasil, no templo de Salomão, em São Paulo, que servirá para os fiéis usarem nas emergências. É a “gota do milagre urgente”. O pastor Irineu (sobrenome não mencionado no vídeo) disse que a pessoa deveria guardar a gota do milagre a sete chaves e somente usá-la no momento de necessidade extrema. “Eu tenho certeza que quando você precisar de usar essa gota Deus vai se manifestar de forma gloriosa na sua vida”, disse o pastor (1).

Outra prática comum na Universal é pedir para as pessoas colocarem um copo d’água em cima da televisão. Durante o programa o apresentador faz uma oração e, logo depois, a pessoa – esteja onde estiver, bebe a água para receber a cura de uma doença. No “Programa Nosso Tempo” o pastor disse ao orar que “no momento que ela (a pessoa) beber, seja o Teu poder (Deus) entrando na vida dela. Livrando essa alma de toda dor que vem assolando esse corpo. Que em todo lugar que chegue essa oração, que também chegue a Tua bênção Senhor”. Na tela da TV o apresentador sempre bebe a água depois de orar. Ele afirmou: “prepare-se porque vai acontecer o que nunca aconteceu.”

As campanhas são muitas. Para casar, para tornar-se empreendedor de sucesso, para abrir bons caminhos na vida. O site “G Notícias” duplicou a fotografia abaixo e a manchete: “Igreja Universal pede para que fiéis levem meias para serem consagradas no caminho santo para abrir caminhos” ( 2).



No “Programa Nosso Tempo”, exibido em 2 de maio de 2015, os fiéis de Brasília e também as pessoas não evangélicas foram convidadas ainda a participar de um projeto do “chaveiro com candelabro”. O pastor disse que o chaveiro seria distribuído gratuitamente e que iria substituir os chaveiros antigos. O candelabro, explicou o apresentador, é “o símbolo da manifestação do espírito de Deus. Onde porta se abre, vamos ver a manifestação do poder de Deus. Queremos que, onde você for, haja manifestação do poder de Deus”, disse o pastor. O chaveiro seria distribuído no culto de domingo, em sete cultos com horários diferentes, na igreja sede localizada na Asa Sul, no endereço EQS 212/ 213. O pastor convidou as pessoas que queriam sucesso profissional para receber as sete forças de Deus que estavam simbolizadas no candelabro israelense que tem sete braços. Na telinha foi exibido o depoimento de um homem dizendo: “no momento que peguei esse candelabro as portas se abriram para a minha vida”. A ideia é buscar de Deus sabedoria para os negócios profissionais terem sucesso e espírito de conhecimento. “Muitas pessoas perdem tudo porque recebem conselhos errados no mundo dos negócios. Não existe melhor conselheiro do que Deus para você prosperar. Quando você tem sabedoria de Deus não é enganado por ninguém”, disse o pastor.

Existem objetos (sim, pode usar a palavra amuleto) que são distribuídos gratuitamente pela Iurd. Mas existe também a prática de pedir que o fiel dê dinheiro. O discurso é sempre de que depois poderá pedir o que quiser e será atendido por Deus. Aliás, ser fiel nas doações de dinheiro é um requisito para depois ter a autoridade de reivindicar bênção de Deus.

Quanto à Igreja Mundial do Poder de Deus, em 2013 foi um escândalo que repercutiu na imprensa a venda de consórcio de viagem, óleo da unção, seguro de vida e auxílio funerário 100% Jesus. A “A Gazeta”, versão on line, divulgou reportagem com título “Cuidado com as armadilhas do mercado da fé” (3). Mostrou como os amuletos são usados para chamar a atenção das pessoas, sejam fiéis ou não. Entre vários produtos vendidos pela Igreja Mundial, um dos que causou polêmica no Brasil foi o Seguro de Vida e Auxílio Funerário 100% Jesus (folder abaixo) que cobrava R$ 24,90 por mês dos segurados. Essa venda era uma parceria da igreja com a corretora Sossego e a Mapfre. O seguro dava cobertura de R$ 8 mil e assistência funeral de R$ 3 mil e ainda vale-alimentação por seis meses aos beneficiários.



A reportagem cita que “no mercado da fé, que tem movido uma montanha de dinheiro (...) há casos de empresas e instituições religiosas que chegam a vender a santa ceia e óleo da unção pelos Correios”. Em entrevista para o jornal “A Gazeta”, a promotora Sandra Lenvruber disse que havia notificado a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e iria verificar quanto à legalidade do serviço para observar se o nome do mesmo levaria o consumidor a ficar vulnerável à compra do produto. A Promotoria de Defesa do Consumidor de Vitória fez uma investigação para saber sobre a regularidade do serviço, se o mesmo é coerente, respeita a harmonia das relações de consumo ou faz propaganda enganosa. Na época da venda do seguro, ano de 2013, o sites que teriam a responsabilidade de comercializar tiraram do ar o produto depois que a repercussão na imprensa foi ruim. A reportagem acrescentou: “na Idade Média, o comércio de relíquias sagradas e mesmo de um pedaço do céu garantia ao homem pecador a possibilidade de se livrar da pena adquirida pelos seus erros. Na modernidade, as indulgências continuam a exercer o mesmo poder. Porém, seus conceitos foram renovados e embutidos em produtos e serviços como seguros de vida associados a Cristo, amuletos da salvação, cartões de crédito missionários, consórcios de viagem espiritual a Israel, pílulas de emagrecimento milagroso, carnês da cura são vendidos por igrejas, seitas e grupos religiosos nos templos, na internet e na TV. Em alguns casos, não é preciso comprar diretamente a bênção. Ao fazer doação em dinheiro ou de bens, o religioso está apto a receber, não só um mover sobrenatural, mas brindes e presentes como CD de músicos famosos, DVDs de grandes pregadores, revistas religiosas, cadernos, livros (...) e água consagrada capaz de realizar transformações.”

Aliás, essa prática do mercado da fé, da venda de indulgências, foi um dos motivos que levou Martinho Lutero a fazer a Reforma Protestante em 31 de outubro de 1517. A prática era comum na Igreja Católica, mas ele discordava disso. Lutero defendeu as “cinco solas”. A “sola gratia” (“somente a graça”) dizia que a salvação é de graça, um favor de Deus à humanidade e nada que o ser humano faça poderá alcançá-la sozinho, por mérito próprio, por obras e muito menos comprá-la. Um dos versículos que embasam essa ideia está em Efésios 2.8-9: “porque pela graça sois salvos, mediante a fé. Isso não vem de vós; é dom de Deus. Não de obras para que ninguém se glorie” (4). Além da “sola gratia”, Lutero defendeu ainda a “Sola fide” (“somente pela fé”), “sola Scriptura” (“somente a Escritura”), “sola Christus” (“somente Cristo”) e “sola Deo gloria” (“a glória somente a Deus”).

A crítica social
Seria cômico se não fosse trágico e destrutivo espiritualmente e socialmente falando. Mas o “Portal dos Fundos” fez piada com o que os simbolismos significam para as igrejas neopentecostais. Uma crítica humorada, mas séria, sobre a venda de simbologias como se fosse a entrega de bênçãos.

Com um vídeo de 2min39seg, atores mostraram a “Igreja Universal do Pão em Cristo” (5). Atores encenaram fiscais que entram em uma espécie de padaria cujo dono e comerciante está no balcão atendendo às pessoas. Ao ser interrogado da necessidade de pagar impostos por ser um estabelecimento comercial – lembre-se que no Brasil a lei isenta as igrejas de pagar impostos (todas as igrejas, de todas as religiões), o comerciante ator diz que ali não é padaria, mas uma igreja. Em cada doação, o fiel ganha um brinde. “A pessoa doa R$ 2.50 e ganha um quibe abençoado. Doa R$ 4.50 e ganha ciabata cristã com direito a um sagrado refresco. Doa R$ 13,20 e recebe o almoço episcopal”, diz o texto do ator, em forma de piada.

Ela tem um perfil no Facebook e escreveu um livro com o mesmo título: “Fé, vitrines e mercado: o marketing na Igreja Universal” (6). A publicitária Rafaela Barbosa analisa, na sua obra, como a IURD usa técnicas marqueteiras para vender suas ideias. Em outras palavras, as doações propostas pela Universal em troca de benefícios espirituais. É o discurso religioso como discurso mercadológico. “A autora explica que a instituição religiosa analisa os problemas e a situação de vida de seus fiéis de forma a desenvolver estratégias de convencimento”, disse o repórter Dan Martins, no portal “G Notícias”, ao escrever sobre o lançamento do livro que foi fruto de pesquisa e de visitas a vários templos da Universal. O exemplo mostra a ligação existente entre o discurso religioso e o marketing. É a mostra de como uma religião cria mecanismo para crescer e ganhar novos adeptos.

O portal “Observatório da Imprensa” publicou artigo intitulado “A industrialização do sagrado” (7) mostrando como os neopentecostais, principalmente a Iurd, usa a fé para praticar comércio. Afirmando que o mercado da fé é algo comum no mundo pós-moderno, o artigo enfatiza que grupos de igrejas fazem empreendimentos ao criar produtos para difundir doutrinas. Afirma ainda que as mudanças socioeconômicas e culturais geradas pelo capitalismo levaram os neopentecostais a se reordenarem, seguindo lógicas capitalistas para sobreviver economicamente. Para isso, os neo adotaram posturas de consumo que legitimam suas doutrinas e têm na mídia um meio eficaz de divulgar suas ideias como a Teologia da Prosperidade. “Teologia da Prosperidade é o conjunto de princípios teológicos que sustentam ter o cristão verdadeiro o direito de obter prosperidade, tanto material quanto espiritual, e de exigi-las por meio da doação de ofertas e dízimos para Deus. O fiel pode, durante a vida presente na Terra, desfrutar de tudo que lhe é garantido”, diz o texto do artigo. Além do uso da TV para crescer, rádios, portais, revistas e jornais são usados como estratégias de comunicação com a sociedade. “O poder comunicacional endossa o discurso de prosperidade, seja para tentar ganhar adeptos, seja para comercializar suas produções espirituais (...). Somados, o uso dos meios de comunicação e de técnicas de marketing e propaganda, a legitimação da Teologia da Prosperidade (...) e o trabalho dos dirigentes e colaboradores (...) asseguram o desenvolvimento da Igreja Universal”, diz os autores do artigo do portal.

A crítica dos próprios evangélicos
As igrejas evangélicas – sejam tradicionais ou renovadas, discordam da prática de comércio dos neopentecostais. O depoimento do pastor e estudante de Teologia Gerson Alves expressa bem a ideia. Ao fazer seu trabalho final de conclusão de curso com o título “Neopentecostalismo, um desserviço ao Evangelho”, Gerson afirma que “a liturgia de um culto deve enfatizar o senhorio de Jesus e não apenas usá-lO como provedor das necessidades humanas. O culto neopentecostal é pobre de Bíblia. A Bíblia não é central, é periférica. As pregações são cheias de chavões positivos como ‘Deus tem uma vitória para você nessa noite’, ‘o gigante será derrotado nesse culto’, ‘use a fé e prospere’. Enfim, é uma epidemia de confissões positivas e pouquíssima Bíblia. Dificilmente se ouvirá uma mensagem sobre perdão de pecados, a necessidade de arrependimento, vida de renúncia e a volta de Jesus nos púlpitos neopentecostais”, diz o pastor Gerson.

Tem mercado para a fé e o consumo da religião no Brasil?
A resposta é sim. É necessário recorrer aos números oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) para mostrar o avanço religioso brasileiro e demonstrar como por aqui a fé não caiu no esquecimento e o secularismo, apesar de existir, não tomou conta do imaginário social. A tabela abaixo mostra a realidade religiosa do brasileiro (8).



Os números apontam que atualmente 64,6% da população é católica (123 milhões de pessoas), 22,2% é evangélica (42,3 milhões de fiéis), 2% é espírita, 0,3% é do candomblé e umbanda, 2,7% de outras religiões, 8% sem religião e 0,1% dos entrevistados não sabem ou não responderam à pesquisa.

O que será visto se fizer uma comparação do censo de 2010 com o do ano 2000? O que se pode interpretar desses números oficiais? Ao comparar ambos os censos, percebe-se que os católicos eram 73,6% da população (portanto houve diminuição do número de fiéis católicos), os evangélicos eram 15,2% (portanto, houve crescimentos desse segmento), os espíritas eram 1,3% (também houve pequeno crescimento no número de pessoas espíritas), o candomblé a e a umbanda tinham 0,3% de adeptos (o quadro permanece o mesmo, sem alteração na quantidade de fiéis), os sem religião eram 7,4% dos brasileiros (então houve crescimento desse grupo que se considera sem religião) e 0,2% dos entrevistados não sabem ou não declararam.

De todos esses números, três grupos merecem destaque: os católicos que perderam fiéis, evangélicos que cresceram e o aumento no número de pessoas que se consideram sem religião. A Igreja Católica continua sendo a maior em termos de número de fiéis no Brasil. Mesmo assim, o IBGE mostra que a igreja está perdendo fiéis. É um declínio acentuado e, para mudar esse quadro, o papa Francisco esteve recentemente no país para realizar a Jornada Mundial da Juventude, em 2013. A redução no percentual de católicos é geral em todas as regiões, porém mais elevada no Nordeste, no Norte e no Sul.

Por que os católicos diminuíram? Porque os fiéis dessa igreja foram para outras religiões. Para o segmento evangélico, por exemplo, que cresceu. Mas esse crescimento não é tão recente. Vem acontecendo nos últimos dez anos. Hoje somam-se 42,3 milhões de pessoas se professam a fé evangélica (22,2% da população). As pesquisas do IBGE constataram que o aumento no número de evangélicos é proporcional ao declínio constante da religião católica (mesmo com a queda, hoje existem 123 milhões de pessoas católicas no Brasil, ou seja, 64,6% da população). A maioria dos católicos – assim como os sem religião, são homens. Nos demais grupos religiosos as mulheres são maioria.

Por que os evangélicos cresceram? A pesquisa do IBGE aponta que foi graças à expansão das igrejas (aumento do número de templos em todas as cidades) e a veiculação de programas religiosos nas emissoras de televisão. Rondônia tem a maior concentração de evangélicos e o Piauí, a menor. A Assembleia de Deus é a igreja com maior número de crentes. Esse grupo é considerado pentecostal.

Já os sem religião também chamam a atenção. Somam 15,3 milhões de brasileiros entre idade de 20 a 24 anos, sendo a maioria homens, moradores do Sudeste. Uma curiosidade. Por força da imposição do catolicismo como religião oficial do Brasil até o início da República (isso mudou com a Constituição de 1891 que estabeleceu a separação entre religião e Estado), até 1872 nenhum cidadão brasileiro se declarava sem religião. Hoje a realidade mudou. Existem mais pessoas sem religião do que adeptos do espiritismo. “Isso mostra os deslocamentos que estão ocorrendo no campo religioso”, apontam os autores Reblin e Sinner que acrescentam que a “oferta e a procura da religião continuam fortes e se diversificaram [...]. Os católicos estão perdendo membros em todas as direções, ao passo que as igrejas pentecostais, além dos chamados ‘sem religião’, estão entre os grandes ganhadores” (9). Como se percebe por meio da análise dos números, existe, sim, terreno fértil para que a religião cresça no Brasil. E o mercado da fé também. Têm muitas pessoas para consumir produtos religiosos.

Referências
           1.  https://www.youtube.com/watch?v=s5aRhJle2zI Acessado em: 2/5/15.





4.  https://www.bibliaonline.com.br/acf/ef/2 Acessado em: 2/5/15




6. http://noticias.gospelmais.com.br/livro-compara-discurso-igreja-universal-praticas-marketing-64586.html Acessado em: 2/5/15







Denise Santana é jornalista, teóloga e professora


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